Dr. Plinio: Cultura e Civilização Cristãs
I - O Marechal Foch em seu estado-maior: sabedoria e tradição postas no trabalho
Personagem que se sobressaiu no curso da Primeira Guerra Mundial, o Marechal Foch chefiou não apenas o exército francês, mas também todas as forças militares aliadas, as quais se concentraram para enfrentar os impérios centrais – Alemanha, Áustria-Hungria, a Bulgária e a Turquia. Ele tomou o comando das tropas numa situação muito difícil, quando o maior exército de seu tempo, o alemão, dirigido pelo Kaiser Guilherme II, havia penetrado a fundo na França e ameaçava Paris. A queda da capital francesa significaria a derrota dos aliados.
Principal artífice da vitória aliada
O fato de ter sob suas ordens não só os militares de seu país, que lhe deviam completa obediência, como ainda soldados de diversas outras nacionalidades (ingleses e norte-americanos, por exemplo, e até brasileiros), originava para Foch delicados problemas diplomáticos, devendo ele coordenar a ação de diferentes tropas sobre as quais possuía autoridade mais nominal do que real. Além de grande estrategista, precisava ser muito bom diplomata para conseguir que as várias forças militares estrangeiras seguissem a orientação dele.
Trata-se, pois, de um homem que teve tarefa bastante pesada sobre os ombros e a conduziu a bom termo. Foi, aliás, o principal responsável pela vitória dos aliados na guerra de 1914-1918. O que ele fez, deu certo. Tinha, portanto, a seu favor, o argumento do êxito.
Católico praticante, íntimo dos jesuítas
Passemos, então, a comentar o artigo escrito pelo seu chefe de estado-maior, General Weygand, publicado na revista francesa Historia, de janeiro de 1965, a respeito do modo como o Marechal Foch trabalhava.
Antes, cumpre salientar que o General Weygand, muito bom escritor, foi membro da Academia Francesa de Letras. Tem-se a impressão de que o artigo é uma obra literária. Analisando-o, percebe-se não se tratar de simples memória sobre o Marechal Foch, mas um verdadeiro compêndio a respeito de vários temas: como deve ser o trabalho, como o chefe e seu primeiro subordinado cooperam, etc. O relacionamento entre esses dois homens é um modelo tão característico de correção, abnegação, eu diria quase de humildade, que uma palavra de explicação religiosa se impõe.
O Marechal Foch era católico praticante e tinha um irmão jesuíta, o Pe. Foch, e diversas circunstâncias de sua vida autorizam a crer que ele mantinha estreitos vínculos com a instituição fundada por Santo Inácio de Loyola. Em seu modo de pensar e agir transparece um certo quê da escola clássica da Companhia de Jesus.
Contudo, não parece ter sido a fé religiosa que os inspirava, mas uma velha tradição de trabalho de grande classe – formada, esta sim, pela Igreja – herdada por ambos.
Simplicidade contrária à megalomania
Escreve o General Weygand:
O estado-maior de um grupo de exércitos era um organismo muito leve, composto de um chefe de estado-maior, um 3º "Bureau" (o das operações), um 2º "Bureau" (o de informações); um oficial incumbido de administrar o pessoal e o material; um "bureau" de decifração, uma seção postal dirigida pelo comandante do Quartel General.
Continua...