Dr. Plinio: Cultura e Civilização Cristãs
III - O Marechal Foch em seu estado-maior. Predicados de verdadeiro chefe
Na exposição anterior conhecemos o Foch amante da calma e da serenidade imperturbáveis, cuja existência quotidiana no seu estado-maior transcorria com a maior regularidade possível. Deixamo-lo no momento de seu rotineiro passeio após o almoço.
Prodígio de distância psíquica
Assim prossegue o artigo do General Weygand:
Quando o lugar de nossa residência é uma aldeia, numa casa isolada, saímos a pé. Se é uma cidade pequena como Cassel ou Senlis, um automóvel nos leva para fora do perímetro urbano ou a uma floresta vizinha.
Ou seja, Foch gostava de passear no campo, evitando as aglomerações de gente, mesmo pequenas, onde sua presença poderia dar azo a conversações e encontros que transtornariam aquela sua apreciada calma.
Essas saídas são uma verdadeira distensão. Se o solo não está por demais molhado, o General caminha através dos campos ou dos bosques, com seu passo elástico, característico dos habitantes dos Pireneus. Ele se interessa por todas as coisas da natureza e das plantações. Não perde uma só ocasião de se entreter com os cultivadores que encontra, a respeito do estado de suas colheitas, de suas esperanças, suas dificuldades.
Nesse momento, ele não pensa na guerra. Observa as árvores, uma flor, um bichinho, interessa-se pelas condições da lavoura e se entretém em breves diálogos com os camponeses. É um prodígio de "distância psíquica" (1).
Agrada-lhe, sobretudo, nas vésperas das operações ofensivas, fazê-los falar das previsões do tempo, cuja influência pode pesar muito numa preparação de artilharia.
Conheço pessoas que, dirigindo automóvel, levam o gosto de não consultar os outros até o ponto de preferirem rodar dentro de uma cidade, esgotando combustível e paciência, na tentativa de adivinhar o itinerário. Ora, o grande Marechal Foch não agia desse modo. Gostava de conversar com os camponeses sobre o bom tempo e a chuva, aconselhar-se, receber informações, etc.
Das miudezas às mais altas esferas do pensamento
Na conversa, que jamais se arrasta ao longo do passeio, o General aborda, de maneira espontânea, todos os assuntos. Ele me falará com maior confiança, à medida que me conhecer melhor, a respeito de sua infância, sua juventude, sua família, de sua casa de campo na Bretanha. Indagar-me-á também sobre meu passado, meus familiares, minhas preferências.
Era, portanto, uma conversa autenticamente distensiva, na qual ele se comprazia em ouvir o seu interlocutor. Bem ao contrário de alguns espíritos que não sabem escutar, mas somente falar, Foch se entretinha com as opiniões dos camponeses, com as reminiscências do seu chefe de estado-maior, etc.
Continua...