Dr. Plinio: Cultura e Civilização Cristãs
III - O Marechal Foch em seu estado-maior. Predicados de verdadeiro chefe
Continuação...
Então o Foch não usava um jipe qualquer, mas uma Rolls Royce "notável", que lhe propiciava conforto nos deslocamentos pelas frentes de combate. Era, como se percebe, um prolongamento do mesmo conforto que ele procurava manter na hora das refeições, do trabalho, do descanso, etc. Tudo feito com dignidade, procurando sempre o que lhe favorecesse o raciocínio e as elucubrações exigidos pela guerra.
Uma viatura de apoio nos segue sempre para fazer face ao risco de uma pane de longa duração. No caso de um pequeno incidente, ou de um pneu a trocar, as equipes dos dois automóveis se põem ao trabalho, enquanto tomamos a dianteira a pé.
Para ganhar tempo, ir pensando e também fazer um pouco de exercício.
Recolhimento de um verdadeiro chefe
Esses mecânicos são tão hábeis e experientes que raramente chegamos a andar 1 km sem sermos alcançados por eles.
Com se vê, o Foch não se preocupa em dirigir os mecânicos, como um chefe de quinta classe, que manda em tudo, aos gritos: "Fulano, aperte aquele parafuso, verifique o virabrequim!". Deixa que os entendidos façam o conserto. Então, havendo a necessidade de algum reparo no carro, ele se afasta e se põe calmamente a caminhar, sem ostentação. Cada um faz o que lhe compete. A recíproca do chefe militar metido a mecânico, seria a do mecânico metido a conselheiro de guerra... Quer dizer, uma completa inversão de valores.
Durante esses trajetos não há lugar, ao contrário do que acontecia nos passeios, para outros assuntos senão os de nossa tarefa.
Foch se deslocava com a determinação do que deveria se fazer em relação à guerra. Nada de conversa supérflua.
A recreação havia terminado. Ora o General pensa alto, ora fica silencioso por longos momentos, ora formula uma questão, pede uma opinião ou imerge novamente em suas meditações.
Interessante observar que este "pensar alto" é algo que qualifica a confiança dele em Weygand. Feliz o estilo de relações em que o chefe pode pensar alto diante do subordinado. Entretanto, ele tinha a preocupação de fazer sala para seu ajudante e, por isso, demorava-se em silêncio, formulava uma pergunta, pedia uma opinião, sem se considerar um "Dr. sabe-tudo" que não solicita sugestões a ninguém. Após uma pausa, ele se recolhe de novo em suas elucubrações.
Nos dias em que não deixamos o quartel-general, o trabalho reinicia depois do passeio; porém, o General, mais do que de manhã, gosta de ficar só.
Ou seja, pela manhã ele quase só recebia o Weygand, e à tarde preferia ficar sozinho. Esse é o verdadeiro chefe.
Continua...