Dr. Plinio: Cultura e Civilização Cristãs


IV - O Marechal Foch em seu estado-maior. Como numa abadia beneditina...

IV - O  Marechal Foch em seu estado-maior. Como numa abadia beneditina...

Palavras do Weygand:

Creio ter dito o bastante a respeito do caráter essencialmente pessoal do comando de meu chefe, de sua atividade, sua necessidade de contato direto com os homens, para se apreender o panorama da vida bem regulada que acabo de traçar, como o fundo de quadro de sua existência, a parte que somente seus colaboradores imediatos conhecem, aquela cujo trabalho prepara o outro, todo exterior.

Equilíbrio entre burocracia e ação pessoal

Está descrito de modo magnífico, não o quadro todo, mas seu fundo, onde se planeja o trabalho externo. É a parte íntima, doméstica, na qual se percebe a infra-estrutura, a base de suas atividades. Daí o imenso interesse que temos em comentar esse artigo.

A todo momento, como se viu, o general abandona esse quadro para exercer sua ação onde fosse necessário. Suas relações com os comandantes de exército ou corpos de exército são constantes.

Após ter mostrado como Foch não era "quadrado" (1), Weygand se refere aqui ao descortino de seu chefe.

Nada, portanto, de menos sedentário, de menos burocrático do que sua existência de guerra. Jamais ele se julgou dispensado do ato pessoal, pelo envio de uma instrução ou de uma ordem escrita. É a homens que ele comanda e com eles faz questão de combinar seus empreendimentos. Procura ter com eles freqüentes contatos.

Havia, portanto, um equilíbrio, uma harmonia entre a burocracia e o contato pessoal.

Trabalho no silêncio "calmo e confiante"

Em torno do general, seu estado-maior trabalha no silêncio e recolhimento.

Frase estupenda! "Silêncio e recolhimento". Como isso é diferente do que se imagina como atividade de um estado-maior comum!

Nosso chefe não tolera nem tagarelice nem tempo perdido. Oficiais de visita [ao estado-maior] registraram suas impressões: "Ter-se-ia imaginado – diz Monsieur René Puaux, que escreve suas lembranças da Batalha de Yser – uma febre intensa, um perpétuo vai-e-vem de oficiais do estado-maior, enlameados, ordens nervosas, portas que batem, uma visão napoleônica de atividade febril. Não. É o silêncio calmo e confiante".

M. Gustave Babin, que conheceu o castelo de Bonbon em 1918, elogiou "a quietude, a paz serena que reinam nessa mansão, paz de uma abadia beneditina, onde se trabalha incessantemente, mas sem febre e sem ruído."

Continua...

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