Dr. Plinio: Cultura e Civilização Cristãs
IV - O Marechal Foch em seu estado-maior. Como numa abadia beneditina...
Continuação...
Quem haveria de dizer algo semelhante do estado-maior do general Foch?! Se esse escritor acrescentasse que ali todos tinham os olhos continuamente postos em Nossa Senhora e com espírito sobrenatural, definiria a nota capital de uma abadia beneditina. Eis aí uma lição para nós: trabalhar constantemente, sem febre, sem perder o fôlego, sem barulho. E, acrescento eu, sem vaidade. Porque se houver vaidade, torna-se teatro.
Por exemplo, se um homem entra numa sala para dar uma notícia não muito importante, bate a porta e fala alto para chamar a atenção sobre si e valorizar-se, destrói a eficácia de seu trabalho. Este precisa ser feito com desprendimento.
Esforço comum, sob a influência do chefe
Continua Weygand:
Um convento, se se quiser, onde cada qual trabalha com fervor, na irradiação do chefe.
Quer dizer, é a ação feita em comum, que não admite critérios individuais seguidos de maneira arbitrária. Não. Trabalha-se na atmosfera criada pela personalidade serena e recolhida do chefe.
O comandante tem em suas mãos a vida do soldado. Um erro, uma negligência de sua parte, podem ser causa de perdas e sacrifícios inúteis, que seriam criminosos. O general Foch não deseja que, ao seu redor, se esqueçam de que se o estado-maior se beneficia de uma vida mais fácil e menos exposta do que a da tropa, é para permitir aos oficiais se darem sem reserva à sua tarefa.
Portanto, essa comodidade exige uma dedicação sem limites, dada a gravíssima responsabilidade de cada um. Qualquer negligência, 500 homens podem morrer.
Ele acha cruéis os sacrifícios reclamados a cada dia de guerra, o sofrimento que ele padece em razão disso acentua aos seus olhos o dever de não pedir [aos soldados] senão os sacrifícios indispensáveis e eficazes.
Essa é a tarefa do estado-maior: calcular o trabalho das tropas de maneira que um militar não seja obrigado – devido ao relaxamento de um dos oficiais que esqueceu tal papel – a andar 50 quilômetros a mais. Ou seja, a responsabilidade moral do estado-maior, para quem tem consciência, é extrema. Isso explica a atmosfera de recolhimento de uma abadia beneditina.
Este sentimento não se exterioriza nele em grandiloqüentes declarações verbais. Manifesta-se pelas exigências que ele impõe. Diante de tão altas responsabilidades, nenhum relaxamento lhe parece admissível, nenhum esforço suficiente.
Claro está, pois é a contrapartida.
Estrutura e missões dos gabinetes do estado-maior
Deste estado-maior, eu disse quais eram os órgãos essenciais.
O 3º Bureau é o mais encorpado. Seu chefe e dois oficiais se ocupam mais especialmente em estabelecer e encaminhar os documentos principais (sobre os quais voltarei a falar), elaborar as ordens secundárias relacionadas com a execução dos movimentos, a classificar as zonas e estradas, e reunir todos os dados úteis para o general tomar suas decisões.
Continua...