Dr. Plinio: Cultura e Civilização Cristãs
IV - O Marechal Foch em seu estado-maior. Como numa abadia beneditina...
Continuação...
Os outros oficiais são agentes de conexão, em princípio ligados essencialmente a um exército que visitam, do qual devem ter um conhecimento aprofundado, por essas tomadas de contato freqüentes e regulares, como também pelo estudo de suas ordens, suas disposições e seus relatos. O 2º Bureau é composto, além de seu chefe, de apenas dois oficiais.
Compreende-se, pois a espionagem está espalhada em todos os exércitos. Ali permanece somente a cúpula.
O grupo de exércitos – quer dizer, o estado-maior – não dispõe de órgãos propriamente de pesquisa, mas recebe suas informações do grande quartel-general dos exércitos que ele comanda e dos exércitos aliados vizinhos. O chefe do 2º Bureau estabelece a síntese desses dados, assinala, quando necessário, as lacunas e chama a atenção para as informações complementares a serem procuradas.
Quer dizer, ele prepara um quadro para uso do comandante.
O general Foch trabalha diretamente com seu chefe de estado-maior – o próprio Weygand – que lhe apresenta todos os documentos importantes que chegam até ele e transmite suas ordens. Há uma regra em cuja estrita aplicação Foch se mostra particularmente exigente: todo documento, toda informação que valha a pena, devem lhe ser entregues ou submetidas sem perder um minuto, esteja ele ocupado ou não.
Num artigo tão bem escrito, Weygand insiste mais de uma vez nesse ponto: qualquer dado mais significativo deve ser imediatamente apresentado ao Foch. Porque, diante das exigências da guerra, isso realmente é de suma importância.
A importância de uma formulação de frase
É em minha presença que o general recebe o chefe do 2º Bureau e sou eu quem trago os oficiais de ligação, se se encontram em período ativo de operações, antes de sua partida, ou quando voltam de missão. É útil acrescentar que se o general encarregou um oficial de um trabalho especial, ele não se dispensa de tratar diretamente com ele; de minha parte, não perco nenhuma ocasião de pôr meus oficiais em contato com o grande chefe.
Weygand não é interceptador, e se compraz em que seus subordinados tratem com alguém mais importante que ele.
Quando o general recebe os oficiais de ligação, antes de partirem, assegura-se de que estão bem compenetrados da missão deles junto a "seu" exército, e do sentido de suas próprias instruções. Ele se encarrega muitas vezes de levar, para o comandante do exército, mensagens escritas ou verbais e, nesse último caso, não é raro que lhes faça tomar nota de uma fórmula característica, a fim de que seja bem sua palavra que chegará ao destinatário.
Veja-se a importância da fórmula a qual, para um homem desse valor, parece indispensável. Percebe-se, também, o receio que ele tem do intermediário negligente, abobalhado e preguiçoso, que não compreendeu o alcance da mensagem e por isso não irá reproduzi-la com precisão. Então ele diz: "Escreva assim e leve essa fórmula para o comandante". Se o subordinado não obedecer, conforme o teor da mensagem, pode ser severamente punido.
Quer dizer, é algo a ser tomado com inteira seriedade.
(Extraído de Revista Dr. Plinio n° 107)
1) Adjetivo empregado por Dr. Plinio, proveniente do termo "quadratice" com o qual ele significava uma inveterada estreiteza de vistas e, em conseqüência, de iniciativa (cf. "Dr. Plinio" nº 103).