Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja


As almas orantes, esteios da Igreja

Nunca será supérfluo insistir no mérito da oração e na sua eficácia para alcançarmos do Céu as graças e benefícios que favoreçam as nossas mais variadas necessidades espirituais e temporais.

Valor da oração para o apostolado

Essa importância da prece, porém, cresce de vulto quando se trata de afervorar a Fé nos corações, de incentivar no próximo sua correspondência e entrega à Religião católica. Com efeito, tais objetivos não se atingem senão com muita impetração, humilde e perseverante, do socorro divino. Por isso nos ensina Dom Chautard, na sua Alma de todo apostolado, serem a oração e a vida interior o fundamento de qualquer ação apostólica.

Essa verdade é corroborada, de modo curioso, pelo fato de que Nosso Senhor suscita determinadas vocações, não diretamente para a evangelização, mas para rezarem pelo êxito desta, empreendida por outros. Assim, essas almas entregues à súplica apresentam a Deus o quantum de oração que as almas dedicadas ao apostolado, embora tão imbuídas de zelo e intensa vida interior, não têm tempo de fazer.

E desde os primórdios do cristianismo reluziram essas almas orantes que abandonam tudo e passam sua existência rezando, a fim de obter do Céu graças em abundância, determinantes para o sucesso das obras apostólicas – e, portanto, da Igreja Católica – ao longo dos séculos. Essas pessoas são como um turíbulo com incenso de agradável odor que sobe continuamente até Deus, por meio de Nossa Senhora, na glória eterna, rogando-Lhe misericórdia para todos nós.

Beata Ana Maria Taigi

Na história dessas vocações, uma pode ser destinada por Deus a interceder em favor de determinada alma, instituição, etc. Por exemplo, o chamado singular, misterioso, mas extraordinário que teve a Beata Ana Maria Taigi para rezar e expiar pelos membros da família Bonaparte.

Apesar de os parentes mais próximos do célebre General não terem se distinguido por uma séria correspondência aos preceitos católicos, Nossa Senhora se compadeceu deles, e suscitou aquela bem-aventurada – cozinheira na casa dos príncipes Colonna – para tal missão. E suas orações e sacrifícios tiveram efeito. Conta-se que Paulina Bonaparte, irmã de Napoleão e mulher de costumes pouco louváveis, foi assistida na hora da morte por São Vicente Strambi, sacerdote passionista. Quando este saiu do quarto da agonizante, depois de lhe ter ministrado os derradeiros sacramentos, tranqüilizou os circunstantes, afirmando que ela falecia em disposições muito boas. Quer dizer, com suas fervorosas preces, Ana Maria Taigi alcançara a salvação daquela alma.

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