Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja


As almas orantes, esteios da Igreja

Continuação...

Os contemplativos

Esse chamado especial para a vida de oração aparece com maior intensidade nas ordens contemplativas, masculinas e femininas. Entre estas últimas, há aquelas que cuidam de modo particular da própria congregação. Assim, as redentoristinas, as dominicanas, as franciscanas, etc., devem rezar sobretudo pela fecundidade do apostolado dos institutos religiosos a que pertencem. Claro está, não deixam de pedir, com não menos empenho e ardor, por todos os fiéis, pela perseverança dos bons e pela conversão dos pecadores.

Compreende-se que os contemplativos tenham a missão mais caracteristicamente impetratória, posta a essência de sua vida. Esta consiste em que o religioso, despojado por completo das preocupações meramente terrenas, pode se consagrar ao que São Bento chama de vacare Deo. Ou seja, ter a disponibilidade mental suficiente para que sua atenção esteja voltada de maneira fundamental e contínua para as coisas de Deus. Ora, a clausura é uma condição favorável para isto, por óbvias razões. A pessoa não sai e, sobretudo, ninguém entra no convento ou mosteiro, de sorte que os monges permanecem afastados do mundo.

Além disso, para os que vivem cercados pelas abençoados muros do claustro, uma série de anseios de ordem temporal, como carreira, projeção, fortuna, etc., ficam limitados, embora a miséria humana possa se manifestar em qualquer situação e ambiente. Mas, em via de regra, o enclausurado renuncia às pretensões mundanas, e as distrações e diversões da vida temporal também não penetram em sua alma. Dessa forma, sua fantasia e imaginação têm maior facilidade de se dirigirem para as grandezas divinas.

Então, meditar e ter a atenção habitualmente posta em Deus, seja conversando com Ele, seja considerando todas as coisas à luz da doutrina católica, é um modo de oração próprio da existência contemplativa.

No movimento, o inestimável papel dos "orantes"

Antes de encerrar essa breve reflexão, gostaria de salientar um ponto de muito interesse para movimentos, como o nosso, que se dedicam ao apostolado. Existem entre nós aqueles mais empenhados na ação externa, no trabalho assíduo e denodado junto às almas que devemos atrair para Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima. E há os que têm a venturosa possibilidade de se consagrarem mais à vida de oração e recolhimento.

Sabemos bem que nosso apostolado é árduo, e nossa correspondência à vocação, não raro dura e difícil – e, portanto, gloriosa – pois não é fácil ser fiel, imerso nos desvarios do século em que vivemos. Para suportar esse apostolado, para corresponder a essa vocação, é preciso haver tais almas orantes, cujas preces incansáveis, insistentes, alcancem para a obra todas as graças de que necessita. Além das suficientes, as extraordinárias, sem as quais não podemos vencer nossas grandes batalhas, sobretudo as de ordem espiritual, que cada um trava no seu interior.

Quantas e quantas vezes, aconselhando a um e a outro, sou obrigado a reconhecer que minha ação individual chegou ao termo, pois não tenho mais influência sobre ele, nem a possibilidade de ajudá-lo. Tudo o que estava ao meu alcance, segundo as vias comuns da graça, foi feito em favor dele. E de nada adiantou.

Confiando em Nossa Senhora, entregamos aos seus desvelos maternais a solução para aquela alma. Mais dia, menos dia, esta recebe uma graça extraordinária com a qual não se contava e retoma sua trajetória de ascensão espiritual.

Essa situação é tão freqüente em nossa vida, que torna soberanamente claro o fato de que o movimento somente se mantém porque lhe são concedidas essas dádivas divinas extraordinárias, inesperadas, e às vezes fulminantes. Elas são o "pão nosso de cada dia" na vocação para a qual fomos chamados, obtidas pelas orações de almas muito diletas.

E devo confessar, com profunda gratidão, que é para mim uma alegria, um consolo, um estímulo quando chego em casa à noite e penso: "Eu só tive tempo de rezar minhas preces diárias (que, aliás, não são poucas). Porém, esses filhos que Nossa Senhora me deu oraram e suplicaram bastante segundo as intenções de nosso apostolado. E por isso, mais um dia de conquistas, de batalhas vencidas, de missão cumprida em todas as nossas frentes, termina sob as bênçãos e o afago de Maria Santíssima."

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