Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja


"Bem-aventurados aqueles cujos pecados são apagados"

Continuação...

É interessante notar esta particularidade: enquanto aquele que procedeu incorretamente é argüido por Deus, o homem justo não tem o que temer da parte do Criador, pois Este não possui argumentos contra ele. Em nenhum momento lhe será um juiz terrível e severo, mas um Pai cheio de misericórdias.

Além disso, o espírito do inocente é "isento de fraude", não foi manchado por nenhuma transgressão aos Mandamentos. Portanto, mais que qualquer outro, é ele o bem-aventurado.

Não se confessando, o pecador definha

Porque me calei, os meus ossos envelheceram, enquanto eu clamava todo o dia.

Trata-se aqui daquele que pecou e calou a sua falta. Quer dizer, não contou a Deus, não confessou o que fez. Em razão dessa indiferença, desse afastamento em relação a Deus, ele foi se ressecando, debilitando, definhando.

Nesse versículo há também um sentido peculiar que merece atenção: o pecador "clamava todo dia", mas entretanto se calou. O que podemos interpretar como tendo ele contado seu pecado a algum amigo, parente ou conhecido, não porém Àquele a quem importava revelar, isto é, a Deus Nosso Senhor.

Naquela época, a Igreja Católica não estava fundada, pois os Salmos datam de séculos anteriores a Jesus Cristo. Entretanto, uma vez instituída a Santa Igreja, o personagem por excelência com quem se deve falar é o confessor. Pecou, declare ao padre – representante de Deus e da Igreja – a sua falta e peça perdão.

Mas, se a pessoa não recorre ao tribunal da penitência, não declara o mal que praticou, mantendo-se afastado dos Sacramentos, seus ossos secam dia e noite, e sua alma vai decaindo. Pelo contrário, como adiante se verá, quando ele fala a Deus, ou seja, ao confessor, a sua alma refloresce.

Porque a tua mão tornou-se pesada sobre mim de dia e de noite...

Deus castigou esse homem, porque não tinha confessado. Então, noite e dia, para conduzi-lo à penitência, o punia.

... eu revolvia-me na minha dor, enquanto mais se cravava o espinho.

Ele se remexia no seu sofrimento, e o espinho, que é a consciência do pecado cometido e não declarado a Deus, aprofundava a chaga causada pela falta. É o resultado da impenitência do indivíduo que não quer se humilhar diante de Nosso Senhor.

Continua...

« ... 1 2 3 4 5 6 7 ... »