Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja


"Bem-aventurados aqueles cujos pecados são apagados"

Continuação...

Inclinando-se diante de Deus

Eu Te manifestei o meu pecado, e não ocultei a minha injustiça.

E disse: Confessarei ao Senhor, contra mim mesmo, a minha injustiça...

Afinal, ele falou, confessou a Deus seu pecado. É a declaração dele: "Comparecerei diante do Senhor é falarei contra mim mesmo. Reconheço o quanto minha falta é censurável porque ofende os vossos Mandamentos. E a malícia, ó Deus, dos atos que pratiquei, também está diante de mim. E dói-me, envergonha-me ter cometido esse pecado. Aos vossos pés, meu Senhor, falo mal de mim, me inclino e peço perdão."

Este, verdadeiramente, é o ato regenerador.

Enquanto o faltoso não toma essa atitude de penitência e humildade, reconhecendo-se indigno de estar na presença de Deus e de que sobre ele pouse o olhar infinitamente santo do Altíssimo, do qual tem vontade de fugir – ele fica posto de lado, revolvendo-se na sua dor.

Porém, se proceder como deve, e dizer: "Senhor, eu pequei. Essa ação que cometi é contrária à vossa Lei santíssima, lindíssima, boníssima, superior a todo o louvor. Foi contra ela que me revoltei. Sou, portanto, alguém que nada vale. Mas, envergonho-me e suplico que me perdoeis" – ele terá feito a confissão.

... e Tu perdoaste a malícia do meu pecado.

Todo pecado tem uma maldade intrínseca, e por isso o Salmista declara a Deus: "Meus pecados têm malícias, e quando os confessei a Vós, percebi a maldade de cada um deles."

Por isso orará a Ti todo [homem] santo, no tempo oportuno.

O homem que assim reza, começa a se tornar santo. É como o dia que principia a nascer e o sol pousa sobre o pecador. Ele é chamado pela primeira vez de santo, porque se confessou.

Cumpre notar que a palavra "santo" não significa possuir o pecador a santidade de quem praticou as virtudes teologais e cardeais em grau heróico, mas que ele se encontra em estado de graça, é amigo de Deus.

Então o homem que se confessou é justo, e no tempo oportuno rezará a Deus.

Recompensas e punições nesta Terra: inversão de papéis?

E, na inundação das muitas águas, estas não se aproximarão dele.

Ou seja, quando vierem as grandes provações, Nosso Senhor o ajudará e protegerá. Enquanto o pecador empedernido, entregue aos piores desregramentos morais, é atingido por moléstias oriundas de seus próprios pecados, o justo é poupado, e as "muitas águas" da tribulação e do horror passam ao longe, sem se aproximarem dele.

Essa reflexão me leva a externar uma impressão pessoal de que sobre o mundo contemporâneo pesa uma sorte de maldição. Os pecados e extravios da humanidade chegaram a um ponto inimaginável e, contudo, observando-se a atitude de Deus para com os homens na vida corrente – protegendo a uns contra a infelicidade ou permitindo que ela aconteça a outros – parece, às vezes, que há uma inversão de papéis.

Continua...

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