Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja
"Bem-aventurados aqueles cujos pecados são apagados"
Continuação...
Continuemos os comentários que vínhamos fazendo a cada versículo do Salmo 31.
Tu és o meu refúgio na tribulação que me cercou; ó alegria minha, livra-me dos que me cercam.
A esse penitente que se arrependeu e confessou seus pecados, Deus permitiu fosse oprimido por dificuldades. Porém, no meio desse cerco, ele pensa no Altíssimo como sendo a razão de sua alegria. Assim, encontra recursos para resistir e ser feliz.
Como prêmio, o caminho do Céu
Inteligência te darei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir.
Até aqui o Salmista tem se dirigido a Deus. Agora, é o Senhor quem lhe responde, prometendo-lhe uma recompensa nesta Terra. Mas esse prêmio não consiste em tornar a vida agradável, e sim ensinar o caminho do Céu.
Ou seja, Deus concede ao homem a compreensão exata de todos os princípios e verdades que temos conhecido ao longo dessas considerações sobre os Salmos Penitenciais. Dessa maneira, o homem encontra o que precisa, isto é, aquele caminho a ser seguido por ele. Para onde? Em direção à bem-aventurança eterna.
Portanto, Deus favorece a criatura humana com a inteligência e a força de vontade para trilhar as sendas que a conduzem ao Céu. Detrás das nuvens de todas as provações, ele diz ao homem: "Estou além dessas nuvens da dor. Atravessa-as, que tu me encontrarás. Vem a mim, ó meu filho!"
E Deus acrescenta:
Fixarei sobre ti os meus olhos.
É a recompensa extraordinária. Vê-se que certas pessoas comuns são sofredoras, e os olhos de Deus estão sobre elas.
Já tive oportunidade de recordar aqui a figura de uma senhora que me impressionava de modo particular, quando a observava se dirigindo para a igreja. Andava com um passo lépido, animada, levando freqüentemente uma sombrinha cuja utilidade parecia discutível, pois nem sempre havia ameaça de chuva ou sol forte. Entretanto, nela se notava algo como se fosse a bandeira da dor. Sua face era semi-encoberta por um pano, ocultando-lhe o nariz e a boca, sem impedir que pudesse falar à vontade. O véu, tanto quanto me era dado ver, invariavelmente limpo, de uma cor lilás profunda, quase azul-marinho, preso atrás da cabeça. Era patente que ela perdera o nariz.
A senhora suportava essa cruz com alegria, tendo o mais das vezes um olhar ridente, gracejador.
Deus a fitava. E nos olhos dela, percebia-se algo do lúmen do olhar do Criador.
Continua...