Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja


"Bem-aventurados aqueles cujos pecados são apagados"

Continuação...

Entendimento para fazer a vontade divina

Não queirais ser como o cavalo e o mulo, que não têm entendimento.

Deus guia os homens, não porém à maneira como estes conduzem os cavalos. Porque o animal tem a natureza de se deixar levar, sem compreender nada. Apenas executa o que lhe ordenam. Entretanto, ao homem Deus dá entendimento, inteligência, para que ele conheça e corresponda à vontade divina. Por sua bondade infinita, o Senhor nos oferece suas graças e seus dons celestiais, fazendo com que tenhamos atração pela santidade d'Ele.

O homem então caminha rumo à união com Deus, não como um cavalo que apanha quando não cavalga direito – e, portanto, mais ou menos se deixa conduzir – mas sua alma deseja o que Deus quer, entende a verdade que Deus revela e ama o bem que Deus indica. Estabelecido o vínculo entre o Altíssimo e a alma, tornam-se amigos, aplicando-se a eles o que diz o Salmista em outro texto: "Tu que comigo, à minha mesa, comias doces frutos" (Sl 54, 15).

A amizade é a convergência de duas almas no conhecimento e no amor de Deus; no amor e no conhecimento da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Qual é a definição de amigo? É aquele que – como eu – adora, entende e quer a Deus. Esse é meu amigo porque é um outro eu mesmo. A esse propósito, evoco o que por vezes acontece em nossa vida diária. Alguém me procura para expor seus problemas pessoais, não raro em horários inoportunos, transtornando meus afazeres, etc. Olho para o meu interlocutor e penso: "Como ele seria se fosse mau? Entretanto, ele é bom, vive habitualmente em estado de graça. Então, como o quero porque ele quer a Deus, como o amo porque ele ama a Deus, considerando o que nele há de católico, tomo-o como meu semelhante. E a semelhança atrai a amizade."

Um necessário exame de consciência

Seria de grande proveito fazermos um exame de consciência diário, no qual rememorássemos todos aqueles do movimento com quem tratamos. E se nesse convívio pensamos o seguinte: "Como ele seria se não fosse do nosso grupo? E como ele é melhor sendo um dos nossos! O que poderá vir a ser, se for santo? De que modo brilhará? Como eu amo as esperanças que Deus deposita nesse meu irmão de vocação! Ah! Como me alegra o fato de ele perseverar e corresponder às graças divinas, aproximando-se o quanto possível dos desígnios de Deus sobre ele! Nosso Senhor o ama nessa perspectiva, eu também o quero assim!"

Nesse sentido, precisamos nos querer intensamente. E estimar nosso irmão de vocação, não porque seja engraçado, porque conte coisas jocosas, nem por sua esperteza ou por sua generosidade para comigo, mas sim porque ele ama Deus, Nossa Senhora, a Santa Igreja Católica. E por causa disso, embora possa ter esses ou aqueles defeitos, há nele fundamentalmente tal linha. Esta linha eu amo como a luz dos meus olhos.

Continua...

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