Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja
"Bem-aventurados aqueles cujos pecados são apagados"
Continuação...
Alguém poderia objetar: "Mas, ele não me entende, não gosta de mim".
Então, devo amá-lo duplamente. Porque se ele me dá algum desgosto, mas lembro-me de que é um membro de nosso movimento, e no essencial de sua vida tende a realizar nosso ideal, é diferente dos que me são estranhos, ofendem a Deus e não se incomodam.
Em última análise, se um homem, ao pecar, agride o seu Criador, ele se torna digno de minha censura e rechaço. Se dá uma bofetada só em mim... que importância tem? Por mais especial que me julgue, sou uma mera criatura, "um verme e não um homem" (Sl 21, 7), como diz a Sagrada Escritura.
Então não devemos resmungar: "Ele não reconheceu que tenho grande inteligência...."
Ah! pobre miserável, você próprio não reconhece que não é nada?
Lutar pela glória de Deus
Com o cabresto e com o freio, sujeita as queixadas daqueles que não quiserem obedecer-te.
Quer dizer, o homem deve sujeitar as pessoas que não queiram obedecer-lhe.
Esse versículo encerra uma invulgar beleza, porque contradiz uma certa concepção piegas do católico, segundo a qual este deve apanhar sempre, ser um songamonga, incapaz de lutar, de se defender, de entrar numa querela, numa verdadeira discussão onde está em jogo a glória de Deus.
Contudo, dir-se-ia haver uma discrepância entre essa atitude e o que dissemos anteriormente sobre a necessidade de não darmos importância – ou pouca, na medida do razoável – ao que se faz contra nós. E agora, esse versículo afirma que é preciso sujeitar quem não nos obedece.
A explicação é a seguinte. Devemos desejar que todo homem, como nós, sirva e ame a Deus. E por isto, Deus declara: "Deixei um cabresto e um freio na tua mão, porque, se alguém não cumprir minha Lei e se revoltar, tu tens obrigação de sujeitá-lo".
Regozijo dos que têm coração reto
Muitas dores esperam o pecador, mas o que espera no Senhor será cercado de misericórdia.
Frase sobremodo bonita: muitas dores esperam o pecador. Ou seja, não pensemos que Deus não castiga o ímpio nesta vida. Apenas não o faz com aquela clareza que desnaturaria as coisas.
E ao justo, o que acontece? Ele não sofre dores? Não está dito isso, mas sim que será cercado de misericórdia. Tudo para ele é clemência, até quando padece.
Alegrai-vos no Senhor e regozijai-vos, ó justos, e gloriai-vos todos os que sois de coração reto.
Cumpre nos indignarmos diante dos pecados torpes e as injúrias graves a Deus que se espalham pela face da Terra. Entretanto, ao ouvirmos o Salmista que canta: "Alegrai-vos no Senhor e regozijai-vos, ó justos...", devemos nos entusiasmar e estarmos felizes. Porque aos justos, Deus não diz: "Ficai contente com as coisas do mundo", mas: Rejubilai-vos, pois tendes o coração reto e Eu vos cerco de misericórdia."
Mesmo a quem esteja sofrendo muito, padecendo martírios inenarráveis, a tal ponto que seja um milagre suportá-los, também é dirigida esta frase: "Alegrai-vos, ó justos", etc., pois tudo conduz ao Paraíso, e a felicidade do homem na Terra é a esperança do Céu.
Com esse pensamento concluímos nossas considerações sobre este belo Salmo 31.