Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja
O Stabat Mater, verdadeira jóia de fé e coerência
Continuação...
Por que existe tal indiferença? Porque esse tema é bonito, elevado, santo, grandioso demais. E pela sua natureza decaída com o pecado original, o homem se tornou tão ruim que, em presença de algo muito sublime, santo e elevado, fica completamente insensível. Há todos os motivos para chorar e se compungir, mas não chora nem sente compunção.
Pedir a graça da verdadeira compunção
Cumpre termos presente que o autêntico movimento de piedade provém de um ato de Fé e amor a Deus, frutos da vida sobrenatural recebida por nós através da graça. Não a podemos adquirir por simples méritos de nossa natureza.
Assim, temos de pedir e desejar ardentemente essa graça insigne: que a Paixão de Nosso Senhor não seja para nós uma coisa morta, poeirenta e distante, ocorrida há séculos, e sim algo de vivo que nos diz respeito diretamente, e nos toque no fundo da alma como sucedeu a todos os santos.
Esse "tocar no fundo da alma" não significa apenas um mero sentimento de tristeza, mas também de solidariedade para compreendermos a inteira relação do holocausto de Jesus conosco, movendo-nos a um ato de genuíno amor a Deus e de correspondência às graças.
Nosso Senhor e a Santíssima Virgem sofreram todas essas dores na intenção de salvar os homens, e mesmo que fosse para resgatar só a mim, as teriam padecido. Eles me conheciam pessoalmente no momento desse sacrifício, pensaram em mim e o aceitaram para me redimir. Assim, hei de corresponder a tanta misericórdia, deixarei de pecar e progredirei na virtude. Quero salvar almas e implantar o Reino de Maria na Terra, como a plena retribuição àquilo que na Paixão foi realizado.
É, portanto, esse movimento de alma, sensibilizada pela Paixão, que devemos pedir nas orações.
A esse propósito, tomo a liberdade de evocar um exemplo pessoal. No meu tempo de menino, quando me preparava para me confessar e fazer a Primeira Comunhão, minha governanta alemã, Fräulein Mathilde, dizia-me: "Faça seu exame de consciência".
Eu o fazia e escrevia as faltas num papel, pois era muito distraído e receava me esquecer. Chegando na igreja, a governanta me mandava ajoelhar e rezar o ato de contrição. Em seguida me perguntava:
– Você se arrependeu?
– Não...
– Então reze a Via Sacra!
Terminada a oração, a mesma pergunta:
– Você se arrependeu?
Eu perdia a face diante de tanta maldade que era a minha ausência de arrependimento, mas não queria fazer uma confissão sacrílega, e respondia: "Não". Ela decretava: "Faça novamente a Via Sacra!"
Continua...