Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja
Tempo de reflexão e de contrição
Não podemos deixar de fazer alguns comentários a respeito do programa com que apareceu, [em Paris], o primeiro número do hebdomadário Temps Présent. Considerado em si, esse programa resume de modo tão fiel o pensamento das Encíclicas e coincide de tal maneira com a orientação do Legionário, que julgamos indispensável levá-lo ao conhecimento de nossos leitores. Se Temps Présent vier a se manifestar católico não só na aparência, mas na sincera, obediente, íntima e afetuosa união de pensamento e de ação com o Papa, seja este nosso artigo uma homenagem àquela folha. Se, pelo contrario, Temps Présent não é católico ou – o que seria pior – é apenas pseudo-católico, servimo-nos de suas palavras como uma homenagem que o erro presta à verdade.
O programa, como dissemos, é excelente. A prática demonstrará qual a interpretação e a aplicação que receberá de seus autores. Fazendo reserva quanto a esta segunda parte, é de nosso dever elogiar a primeira.
Os princípios sociais da Igreja pedem uma realização concreta
Começa Temps Présent por acentuar uma grande verdade: os princípios sociais da Igreja não foram traçados para permanecerem eternamente no mundo das idéias, sem realização concreta. É preciso, finalmente, descer da teoria à realidade e fazer com que a vida concreta das sociedades modernas seja realmente animada pela doutrina católica. Que as nuvens densas da palavra de Deus, portadoras da fecundidade, chovam efetivamente sobre a terra sedenta, penetrando-a até nas suas camadas mais profundas, a fim de fazer com que sua fertilidade potencial se transforme em esplêndida colheita.
Já se foi, para os católicos, o tempo dos congressos e das reuniões meramente doutrinárias. Ao estudo sólido e sério da doutrina, é preciso aliar um conhecimento objetivo, claro, preciso, da realidade. E a este duplo estudo é preciso aliar uma ação viva, enérgica, eficaz e profunda. Sem isto, os católicos no século XX não terão cumprido o seu dever.
Todo católico é um portador de Cristo em si
Esta ação supõe e exige a participação efetiva dos católicos, não apenas na vida política, mas nos setores mais importantes da economia e das atividades intelectuais.
Todo o católico é um Christophorus, isto é, um portador de Cristo em si, ele O leva onde quer que vá. E onde ele se recusa a ir, o Cristo Salvador e Redentor, muitas vezes, deixa de entrar.
A presença é, pois, um dever para o católico, e a ausência, uma traição. E esta regra é tão absoluta e tão grave que só comporta uma restrição ainda mais grave e mais absoluta: o interesse de sua própria salvação e santificação. Um católico só tem o direito e, mais do que isto, o dever de estar ausente dos lugares onde corra risco sua santificação, a juízo exclusivo de seu diretor espiritual.
Continua...