Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja


Tempo de reflexão e de contrição

Continuação...

A necessária união dos católicos

A este princípio verídico e eficaz, Temps Présent faz seguir outro. A união dos católicos deve existir em todos os pontos em que se tenha pronunciado a Igreja. No entanto, a aplicação prática dos princípios católicos podem ter licitamente opiniões divergentes.

Isto posto, é incontestável que, se os católicos se mantiverem em irredutível divergência nestes pontos, sua união para o trabalho pelos pontos fundamentais nunca será conseguida.

A união dos católicos é um escopo que todos devem almejar. Mas qual o meio para evitar divergências que a prática, inevitavelmente, suscitará?

A resposta, Temps Présent a dá magistralmente. Em primeiro lugar, a caridade que coloca o amor de Deus e de sua Igreja acima de todas e quaisquer opiniões políticas ou econômicas, e que inspira a benignidade no trato com todos, mas especialmente com os irmãos na Fé. Em segundo lugar, o senso católico. Se todos os católicos tiverem verdadeiramente o espírito da Igreja, incontestável é que eles estarão unidos, não apenas nos pontos fundamentais da Fé e da moral, mas ainda em uma multidão de outros pontos que a Igreja deixa entregues ao juízo dos fiéis. Se, entre os católicos, reinar a paz de Cristo no amor de Cristo, estará andado meio caminho para a realização do Reino de Cristo no mundo inteiro.

Agir sempre com a aquiescência da Igreja

Não para aí a fecunda exposição de princípios. É incontestável, diz Temps Présent, que há muitos assuntos em que os católicos deverão agir como tais, sem agir em nome da Igreja, posto que em nome desta só se pode pronunciar quem tem a necessária autoridade da Hierarquia Eclesiástica.

É preciso, pois, que os católicos, chamando sobre si toda a responsabilidade em assuntos em que o Episcopado não queira intervir, guardem, no entanto, em relação a este, toda a docilidade necessária para ensarilhar as armas, depor as mochilas e abaixar a bandeira ao mínimo sinal do Episcopado. Bem como que mude de rumos a qualquer momento, desde que o Episcopado assim pense.

Agir com a aquiescência da Igreja, e com o espírito da Igreja, sem agir em nome da Igreja, é linha de conduta que se tivesse sido adotada em ocasiões anteriores, teria salvo não só a França, mas o Brasil, de crises cujos dolorosos efeitos se farão sentir talvez durante séculos inteiros.

A Santa Sé e a pátria, objetos de nosso amor

Aí ficam os princípios. Quem conhece o trabalho do Legionário poderá ver até que ponto eles correspondem exatamente à nossa linha de conduta. E quem conhece de perto nossa vida política, econômica, intelectual e, sobretudo, religiosa, poderá dizer como essa linha de conduta é aconselhada e até imposta pelas circunstâncias em que vivemos.

Deixamos expressamente para o fim um último traço de analogia entre o programa de Temps Présent e o nosso. Temps Présent é irredutivelmente alheio a partidos políticos, procurando criticar o mal ou aplaudir o bem onde quer que o encontre. (...) O princípio em si é profundamente verdadeiro. Sirva ele de motivo de reflexão para os que gostariam de pintar no Legionário cores partidárias de diversos matizes, quando suas únicas cores são o branco, o amarelo e o verde que se encontram nas bandeiras da Santa Sé e do Brasil, porque são estes os únicos objetos de seu amor.

Cumpre executarmos esse programa

A Quaresma é um tempo de reflexão e de contrição. Reflitamos sobre a magnífica síntese de nossos deveres para com a Igreja e a Pátria, que publicou Temps Présent.

E depois, façamos nossa emenda e nossa penitência. Se todos os católicos do Brasil executassem este programa, quanta glória extrínseca para Deus! Quanta grandeza para nossa Pátria!

Mas se tu, leitor, achas que todos os católicos deveriam cumprir este programa, porque não dás o teu primeiro passo neste caminho, arrastando os outros católicos pela oração, pelo exemplo, pela palavra?

(Extraído de Revista Dr. Plínio n° 132)

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