Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja
"Tornei-me como o pássaro solitário no telhado"
Continuação...
Poucos são os personagens que não se submetem a essa lei do esquecimento e cujos nomes permanecem para sempre. Conta-se que, durante uma visita que o Imperador D. Pedro II fez ao escritor francês Victor Hugo, a neta deste entrou na sala para cumprimentar o monarca brasileiro, instruída para lhe dizer uma palavra amável. A menina o tratou de majestade, e o Imperador a interrompeu:
– Minha filha, aqui só há uma majestade: a do gênio, ou seja, Victor Hugo.
Se eu fosse perguntar aos meus jovens ouvintes quantos sabem quem foi Victor Hugo, tenho a impressão de que muitos responderiam negativamente. É o fumo que vai passando...
Reduzido à secura de um esqueleto
... e os meus ossos se secaram como gravetos.
Os gravetos são pequenos desmembramentos de galhos de árvores que caem no chão, secam e são utilizados para acender fogueiras, etc. Assim tornou-se o pecador: dele nada resta a não ser gravetos, isto é, o esqueleto. Esse é o pensamento contido no versículo em questão.
Todos somos destinados a ser gravetos. O homem que pecou e, em determinada época, por orgulho julgou-se grande, sendo eventualmente reverenciado e aclamado pelos outros, pensando que seria lembrado para sempre, este se enganou. Após sua morte ficou reduzido a ossos, como o tronco de uma árvore se acaba em gravetos.
Trata-se de uma comparação extremamente poética e bonita.
Fui ferido como o feno, e o meu coração secou-se, porque até me esqueci de comer o meu pão.
Essa frase indica o auge do exagero literário. É difícil conceber que alguém se esqueça de comer o pão. E isso aconteceu com o pecador devido ao paroxismo de tristeza, de arrependimento, de padecimento e aflição em que se achava.
Pior do que não ter pão é se esquecer de se alimentar dele. É uma situação deveras pungente.
À força de soltar gemidos, fiquei somente com a pele pegada aos ossos.
Versículo muito bonito. Quer dizer, "tantos foram meus gemidos que meu resto de saúde e vitalidade foi devorado pelo pranto. O pesar, a angústia, levaram-me a um ponto onde fiquei reduzido a pele e ossos."
Imagem que nos incita à redobrada confiança
Tornei-me semelhante ao pelicano no deserto; tornei-me como a coruja no seu albergue.
Com o pelicano sucede algo de belo e um pouco lendário: ele alimenta os filhotes com seu próprio sangue. À míngua de outro sustento, com o bico longo arranha o peito (onde tem as penas mais delicadas), provoca sangria e os filhotes bebem esse sangue. É um símbolo do amor paterno que se sacrifica até o holocausto.
Há um cântico eucarístico – o Adoro Te devote – que compara Nosso Senhor Jesus Cristo ao pelicano, pois Ele, com sua Paixão e Morte, derramou seu Sangue para redimir os homens. Em certo trecho deste hino canta-se: "Pie pellicane, Jesu Domine – "Ó Senhor Jesus, ó piedoso pelicano".
Continua...