Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja


"Tornei-me como o pássaro solitário no telhado"

Continuação...

À vista da tua ira e indignação, porque depois de me teres elevado, me arrojaste.

Quando ele praticava o bem, Deus o elevou, arranjando-lhe boas situações no mundo e – o que tem maior valor – aperfeiçoando sua alma. Ele era virtuoso, vivia na alegria da prática do bem e da amizade de Deus. Mas, pecou, e Deus o jogou no chão. Tornou-se semelhante a uma flor que se achava colocada como condecoração no peito do rei, e foi lançada no lixo, neste se transformando.

Os meus dias passaram como a sombra, e eu sequei-me como o feno.

Quer dizer, os dias de glória se passaram sem deixar vestígio, como a sombra atravessa uma superfície e desaparece sem deixar sinal algum, como se nada tivesse havido. Assim transcorrem os dias do pecador.

Humilhado, o pecador glorifica a Deus

Mas Tu, Senhor, permaneces para sempre, e a memória do teu nome estende-se de geração em geração.

Depois de se humilhar e dizer que sua vida passa como uma sombra, o Salmista começa a glorificar a Deus, e afirma: "Mas Tu, Senhor, permaneces para sempre".

Quanta beleza nesta exclamação: "Tu, Senhor!". A palavra "Senhor" parece subir, levada pelos anjos, até os pés de Deus, d'Aquele que é Rei dos reis e Senhor e de todos que exercem algum domínio.

E o pecador o que é? Um sujo, um fraco, um zero. Mas, bateu no peito, suplicando: "Tu és grande e eu tão pequeno, tende pena de mim". E acrescenta: "A memória do teu nome estende-se de geração em geração". Quer dizer, até o fim do mundo o nome de Deus será lembrado nesta Terra.

Tu, levantando-Te, terás piedade de Sião, porque é tempo de teres piedade dela e a hora já chegou.

No meu entender, trata-se de um versículo misterioso, dando a impressão de se referir à conversão do povo judeu. Porque há no calendário de Deus uma hora marcada em que os judeus pedem e obtêm perdão. Nesse momento tem início a glorificação do Senhor pelo povo que Ele escolheu.

Porque as suas próprias ruínas são amadas pelos teus servos, e eles olham com ternura aquela terra.

Pode-se dizer que esse trecho se refere à tradição, que é o amor às ruínas da Cristandade. Nós, servos de Maria Santíssima, veneramos essas ruínas e ansiamos pela hora de reerguê-las. Quando se der sua plena restauração, teremos aquela gloriosa era marial prenunciada por São Luís Grignion de Montfort.

Continua...

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