Dr. Plinio: Fidelidade à Santa Igreja
"Tornei-me como o pássaro solitário no telhado"
Continuação...
"E Tu, Senhor, permanecerás para sempre"
Depois de evocar a conversão do povo judeu e se referir a um tempo de ventura que, por analogia, pensamos ser a época marial prevista por São Luís Grignion de Montfort, o Salmista prossegue em sua manifestação de arrependimento e contrição, exaltando a misericórdia e a grandeza de Deus.
O simbolismo do nome
Então diz:
E as nações temerão o teu nome, Senhor, e todos os reis da terra respeitarão a tua glória.
Em muitas de suas orações, a Igreja exalta o nome do Criador, como, por exemplo, após a Bênção do Santíssimo Sacramento: "Benedictum nomem sanctum eius – bendito seja seu santo nome". E também se bendiz o nome de Jesus, do Espírito Santo, de Maria, etc.
Há toda uma filosofia do nome, sobre a qual não trataria no momento, que mostra ser ele o símbolo do indivíduo, e reciprocamente este último se identifica com seu nome. E o verdadeiro nome do homem é o que ele simboliza. Assim, um guerreiro indômito pode passar a se chamar Leão. Isso sucedeu com um personagem medieval, cuja alcunha é uma das mais belas daquela época: Ricardo Coração de Leão. Embora não fosse modelo de piedade e virtude, ele lutou com tanta coragem que mereceu ser comparado ao temido rei dos animais. O símbolo tornou-se o nome do homem.
A Europa antiga, Sião do universo
Porque o Senhor edificou Sião e será visto na sua glória.
Não foram os judeus que edificaram Sião, isto é, Jerusalém. Eles apenas empregaram suas mãos como instrumentos de Deus. E o Criador cobriu de glória aquela cidade, a qual, pela sua beleza, é um símbolo da Civilização Cristã.
Durante muito tempo a Europa foi a Sião do universo, a cidade construída por Deus através dos homens, cuja glória lhe conferiu um lúmen, um esplendor, uma primazia que fizeram dela o continente de Jesus Cristo.
Atendeu a oração dos humildes e não desprezou a sua prece.
Nessa linha de comparação, poderíamos perguntar por que Sião, ou seja, a Europa, chegou a esse ponto de magnificência? Por que engendrou muitos batalhadores, intelectuais, homens de Estado que souberam dirigir os assuntos públicos?
Secundariamente, sim, mas a razão principal foi que Deus atendeu as preces dos corações arrependidos, e lhes concedeu uma abundância de graças que, correspondidas, resultaram nas incontáveis maravilhas da Cristandade.
Continua...