Dr. Plinio: Varão Católico
A vitória de um holocausto
Continuação...
Não cheguei a formalizar o oferecimento naquela época, pois um certo lampejo me era dado para entrever não ser então o que a Providência desejava de mim. Ela queria que eu vivesse. Mas, de fato, minha vontade era pedir que morresse como Santa Teresinha, imaginando nossas missões semelhantes, ou seja, fazer mais depois de morto que durante a vida. Assim, terminaria meus dias ainda moço, consumido por uma doença qualquer. Mas, ao menos teria pago o preço da Contra-Revolução.
Contudo, percebi não ser o momento para isso, embora tenha tomado em face de Maria Santíssima uma atitude de quem se tivesse realmente oferecido.
Pouco depois, deparava-me com a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort, incutindo-me o desejo de nutrir uma devoção a Nossa Senhora absolutamente hors-serie. Nesse anelo de ardente devoção mariana entrava, sim, o intuito de avantajar com ela a Contra-Revolução, mas entrava antes de tudo a vontade de amar Nossa Senhora com todas as veras de minha alma: "Eu A quero, porque a Mãe de Deus é 'ultraquerível'! Portanto, almejo estabelecer com Ela uma união na linha de tudo quanto me seja dado imaginar, um vínculo fora de série".
Por essas disposições de alma eu compreendia que Nossa Senhora esperava de mim algo a mais do comum. E me vinha a idéia:
"É isso. À falta de outro melhor, Ela chamou este medíocre para desincumbir essa tarefa, e ele aceitou. Percebo que minha inteligência se manifesta com boas rutilâncias, sob o influxo da graça alcançada por Maria. Mas, exatamente porque não tenho o talento de outros, torna-se necessário suprir essa carência com os dons divinos. É a misericórdia para o 'medíocrão'. Aceite isso dessa maneira e se desempenhe com naturalidade. Eu só fico penalizado pelo fato de que, se eu valesse mais, poderia servi-La melhor. Valho o que tenho; Ela me completa, e vamos para frente. Nossa Senhora há de fazer o que está em mim realizar pela causa d'Ela!"
Trajetória semeada de grandes provações
Na extensa trajetória que se me abria, ao lado de algumas intensas consolações, sobrevieram também grandes provações, interpretadas como punição de Deus por minha falta de generosidade no cumprimento da vocação. Julgava que as adversidades e contrariedades se apresentavam porque eu tinha culpa, eram infidelidades conscientes ou não, pecados ocultos de cuja existência não me dera conta...
Pensamento cruciante: "Tenho cegueira porque não quero ver, e por causa disso estão acontecendo coisas ruins. Mas, talvez seja porque estou disposto a servir de vítima expiatória, e esse oferecimento está me esmagando como eu desejei". Contudo, eu era triturado entre a resignação – caso devesse ser vítima expiatória – e um brado, um clamor interno de que tal não devia ser. Então, a conclusão: "Não, não é vítima expiatória, mas é castigo. Entenda e abrace de frente essa situação. Bom, mas do que devo me arrepender? Do que você não vê. Se está sendo castigado por uma mão justa e não a vê, a culpa é de não enxergá-la. Ao menos agora não seja cego e siga adiante, pois Nossa Senhora, apesar de suas lacunas, vai lhe concedendo meios de desenvolver sua missão."
Continua...