Dr. Plinio: Varão Católico


A vitória de um holocausto

Continuação...

Havia, portanto, de um lado, a idéia do desígnio divino que se realizava dentro da mediocridade, da correspondência insatisfatória; de outro, um tormento: o tempo ia passando, e quando eu estivesse com 60, 70 anos, achar-me-ia tão velho que não serviria para mais nada. A velhice se aproximava de mim como em certos filmes representavam um acidente de automóvel, este indo de encontro a um rochedo. Assim também eu caminhava para a ancianidade, e nada se realizava, nada se movia.

Na verdade, formáramos um movimento minúsculo, sem expressão. Eu dizia: "Pelos cálculos comuns, já devia estar mar alto na realização de minha missão. Por que não acontece? Mediocridade, castigo. É isso. Saiba não formar uma idéia pretensiosa a seu respeito. Aprenda a lição."

Em contrapartida, percebia desenvolverem-se certas qualidades, uma determinada aura em torno de mim. Logo vinha o crivo da consciência: "Você nota, mas os outros não. O que é claro aos seus olhos, não o é aos deles. Você vê, porque correspondeu um 'tantinho', porém, se os demais não percebem, é porque você não correspondeu o bastante. Portanto, o que deve se tornar admirável em você é a sua vergonha, porque não foi fiel o suficiente. Você é o abat-jour opaco que guarda a luz dentro de si, mas não a faz transparecer para os outros. Este é você.

"Por outro lado, não consigo melhorar. Faço o que posso, realizo o que realizo. Um grupinho aqui, outro acolá... Leia no Dom Chautard e você encontrará a explicação de tudo: falta vida interior a você!"

As dores compraram o florescimento da obra

Não obstante essas provações – que constituíam um drama psicológico capaz de minar qualquer organismo, como de fato afetou o meu, determinando pouco depois uma crise de diabetes (1) – eu sentia que as graças alcançadas por Nossa Senhora iam aumentando, embora o apostolado não crescesse na mesma proporção. Resultado, novas auto-recriminações: "Você está melhorando um pouco, porém de forma morosa. Esfregue seu nariz no chão da vergonha, porque deveria ser muito mais. Quer provas? Nossa Senhora o ajuda a formar esses grupinhos, mas... que dificuldade! Pense um pouco, reflita, observe que Ela não lhe concede nada de extraordinário. Qual é a grande dádiva a favorecer o seu apostolado? Nenhuma..."

Eu me sentia tentado a dizer que tudo aquilo em que minhas mãos tocavam, esboroava-se. Eram, na verdade, os sofrimentos e as provações próprias à via de expiação na qual trilhávamos, tendo Maria Santíssima considerado aquela minha primeira disposição. Desejo de oferecimento esse reiterado pouco antes do meu desastre de automóvel em fevereiro de 1975, e também aceito por Nossa Senhora, como já tive anterior ocasião de narrar (2).

A partir de então, começo a notar nos meus seguidores mais jovens uma atitude invulgar em relação ao ideal e à minha própria missão. E pensei: "Afinal, me vem de algum lado uma repercussão por onde, junto a alguém, estou produzindo o efeito que, se fosse fiel à graça, estaria produzindo. Embora devesse sê-lo mais universalmente, ao menos isso nos é dado!"

Esse fato me alentou sobremaneira, e com profunda gratidão a Nossa Senhora eu passei a ver o espraiar-se da aura de minha obra pelos mais diversos recantos do mundo.

Continua...

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