Dr. Plinio: Varão Católico
A vitória de um holocausto
Continuação...
Na hora suprema, a suprema confiança
Incansável paladino dos direitos de Deus e da Igreja, Dr. Plinio olhou para o seu futuro e para o momento da sua morte com a confiança que sempre o caracterizou. Antevendo seu caminho, afirmou ele certa vez:
Imaginemos um de nós, muito chamado, muito eleito, sobre quem se abate a provação de uma grave enfermidade a qual, na aparência, o impede de cumprir a vocação. Pois tudo quanto sua alma desejaria para satisfazer a missão que lhe foi concedida, mil anseios bons, mil anelos de combater e vencer os adversários da Igreja, ficam tolhidos dessa maneira. O que era a respiração de seu espírito não lhe é mais permitida.
A esse pode vir a perplexidade: "Será que o esperado nas melhores horas de minha vida espiritual, os combates decisivos e supremos em que ouviria o cântico de vitória dos filhos de Maria Santíssima, não eram para mim? E que me estava destinado um quarto de doente, o isolamento, e ainda sentindo que, pela minhas circunstâncias, estou pesando como elemento negativo sobre aquela força em marcha, na qual quisera ser de todos os modos um elemento positivo?"
Noutras palavras, ele poderia pensar: "Nos melhores momentos de meu fervor espiritual, parecia-me chegada a hora do Reino de Maria, que eu o estava tocando com as mãos. Alegrava-me a esperança de ter concorrido de modo significativo e triunfal, eu, pessoalmente, com os braços e as pernas que Deus me deu, para essa vitória. Mas, não. Não é esse o meu caso. Fiquei de lado. E algo parece agora desmentir os mais admiráveis impulsos que me levaram até o extremo da generosidade.
"Haverá então um abandono de Deus? Eu cometi algum pecado, uma infidelidade por onde Ele me deixou? E eu devo sofrer na Terra a penitência deste abandono, até que Deus tenha pena de mim e me leve para o Purgatório? Ou há uma saída para essa situação, e preciso crer nessa solução, manter o mesmo espírito aceso, a mesma certeza de que na hora 'H' serei um homem 'H', para cumprir a minha vocação, ainda que eu deva esperar as maiores maravilhas?"
Sim, essa saída existe. E cumpre que ele se convença desta verdade: "Aquilo que eu considerei uma palavra de Deus na minha alma, a qual me levou para toda espécie de bem, nessa palavra confiei e continuo a confiar, a super-confiar, e quanto mais os fatores existentes forem contrários, tanto mais é certo que, confiando, na hora 'H' eu serei o homem 'H'."
Alguém poderia me perguntar: por que razão devemos confiar contra toda a confiança, com serenidade e tranqüilidade numa situação que parece perdida?
Esta é uma questão fundamental em nossa vocação, pois circunstância análoga pode suceder a qualquer um de nós.
A resposta se cifra no fato de que a Providência não pode nos pedir nem alimentar em nossa alma algo de ilógico. Se, ao longo de nossa vida espiritual, dos anos dedicados ao serviço de Nossa Senhora e da Igreja, mantivemos acesos aqueles desejos primeiros, o primeiro impulso, a primeira verdade, aquele primeiro ato de vontade e aquelas deliberações daí decorrentes, jamais desmentidas, jamais diminuídas, jamais derrotadas, tal atitude só pode ter sido por uma ação da graça sobre nós. Se a graça agiu, Deus nos chamou. Se Ele nos chamou, pode dispor de nossa entrega como for da sua maior glória.
Continua...