Dr. Plinio: Varão Católico


A vitória de um holocausto

Continuação...

Ele não quis de mim o combate direto e final contra os seus adversários, mas eu obterei um jeito de lutar melhor do que se o fizesse em campo aberto. Eu ofereço a Deus o martírio da minha inutilidade. Tornei-me inútil: ó bem-aventurada inutilidade! Eu sofro com isto mais do que se fosse um missionário obrigado a atravessar o Tibet a pé, evangelizando os povos montanheses.

Deus permitiu essa minha condição ineficaz, porque o quis. Se é vontade d'Ele, eu me submeto, pois é meu Pai e meu Deus.

Alguém ainda dirá: "Mas, então, por que Ele me concedeu esses desejos extraordinários e me fez progredir na vida espiritual? Para, no fim, não me proporcionar a realização de tudo o que esperei?"

É precisamente isso. Em sua insondável sabedoria, Deus determinou que tudo aquilo para o qual me chamava, eu como que queimasse sobre uma pira em louvor a Ele. Dessa forma, o desejo de fazer um bem que eu não pude concretizar haveria de valer mais aos olhos de Deus do que esse mesmo bem que eu poderia ter feito.

Portanto, a alma deve ter isso em vista e se conformar com os desígnios divinos. Nela, a virtude da confiança consiste em ter a certeza de que ascenderá por esse caminho, amparada pela misericórdia de Maria Santíssima. E todos nós temos de estar dispostos a aceitar essa condição. Se assim procedermos, despertaremos em nosso coração sentimentos virtuosos, pois essa é a maneira de considerar a situação em função dos dados da fé católica.

Então, nunca nos deixemos abater pelo desânimo, pela revolta, jamais abandonemos o verdadeiro caminho, que é o da confiança.

Para vós, o prêmio da vitória!

A trajetória de nossa própria vocação é um dos grandes exemplos dessa forma de confiança inteira.

Com efeito, nossa vida foi uma longa espera com quase nada que a confirmasse e com quase tudo que a desmentisse. Tratava-se de esperar contra toda a esperança, crer apesar de quase todas as razões que levavam a não crer; andar pelos rochedos, pelos abismos, pelos precipícios, pelas grutas, até que raiasse o dia no qual Nossa Senhora nos diria:

"Filhos meus diletos, filhos meus caríssimos. Vós esperastes muito, vós recebereis muito. O vosso bilhete de loteria é o de acreditar, o bilhete de confiar. Por vossa confiança, esperastes tudo e agora ganhareis a vitória. Saindo de uma gruta, de repente percebeis o mar magnífico a se desdobrar à vossa frente, formando um panorama esplêndido, o oceano azulado onde as gotas douradas do sol deitam reflexos magníficos. Ide até lá, tomai as embarcações nas quais podeis navegar em direção ao triunfo. As grutas, os morcegos, as cobras, toda a vegetação da derrota, da umidade, da pantanosidade, das trevas, ficaram para trás.

"Para vós, agora, o destino é outro: vencei!"

(Extraído de Revista Dr. Plínio n° 91)

1) Cfr. "Dr. Plinio" número 21.

2) Cfr. "Dr. Plinio" número 83.

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