Dr. Plinio: Varão Católico
Alegrias e provações
Continuação...
Penso que a Sra. me achará com uma fisionomia ótima. Espero poder dizer o mesmo da Senhora. Cuidado com a saúde!!
Mando-lhe junto esta maravilha de Assis, e um santinho de uma Imagem de Nossa Senhora, ante a qual temos obtido muitas graças.
Mil e mil e mil beijos saudosíssimos, do filho que a quer e respeita até o fundo do coração e lhe pede a bênção
Plinio
Não tardaria muito para que as alegrias do retorno de Dr. Plinio consolassem a alma de sua mãe. No momento do encontro, Dª Lucilia não deve ter ficado aquém das manifestações de afeto que seu filho lhe prodigalizou. Sua encantadora fisionomia, cheia de mansidão e ternura, era, de si, a melhor recepção que ela lhe poderia reservar.
Um período conturbado e cheio de incertezas
A esperança de um longo e ininterrupto convívio com seu filho não esmorecia na alma de Dª Lucilia, porém, quanto mais ela o desejava, mais essa possibilidade parecia ficar distante.
Apenas chegado ao Brasil, Dr. Plinio retornaria às suas intensas atividades em prol da causa católica no País, então atravessando um conturbado período de sua história, cheio de incertezas nos âmbitos social e político. À medida que a situação se agravava, Dr. Plinio se via obrigado a tomar algumas precauções. Fazia o possível para escondê-las aos olhos de Dª Lucilia, a fim de não perturbar, com perspectivas assustadoras, sua respeitável ancianidade. No entanto, não havia como ocultar algumas delas. Que fazer nessa situação?
Optou ele pelo mal menor, e fez o que julgava necessário, sem explicar as razões a sua mãe. Eram novas provações permitidas pela Providência, que Dª Lucilia aceitava com a resignação e a mansidão costumeiras.
"Ah! a minha árvore!?"
No entardecer de sua vida, Dª Lucilia gostava de rezar e refletir, sentada na antiga cadeira de balanço de Dª Gabriela. Ali, serenamente acomodada, costumava passar horas e horas, entremeando suas longas orações com a contemplação de um rendilhado de luz e sombras, movediço e suave, que se projetava nas paredes internas do escritório de seu apartamento. Com efeito, na calçada da Rua Alagoas erguia-se frondosa árvore cujas ramagens tocavam a janela do aposento, oferecendo sobretudo à noite, devido à iluminação pública, esse singelo espetáculo.
Entretanto, essa árvore, tão estimada por Dª Lucilia, tornava o apartamento de Dr. Plinio alvo fácil para possíveis atentados. Obter da Prefeitura Municipal a derrubada imediata dela figurava entre as várias medidas de segurança que ele resolveu tomar. E o fez sem dilação. Mas, para não aumentar a preocupação de sua mãe, não quis pô-la ao corrente do perigo a que ambos estavam expostos e nada lhe disse. Assim, qual não foi a perplexidade dela quando, certa noite, ao olhar para as paredes do escritório, viu projetar-se nestas a banal iluminação da rua, sem nenhuma daquelas belas sombras. Surpresa, exclamou: "Ah! a árvore, minha árvore, onde é que foi?!"
Continua...