Dr. Plinio: Varão Católico


Dois horizontes e duas vidas

Continuação...

Maravilhoso caminho traçado por Deus

Ao longo dos anos, eu a via progredir na dor, no isolamento, numa espécie de despojamento de tudo, ponto por ponto, até o mais crucial, o mais interno e o mais doloroso. Nunca comentei com ela, mas creio que mamãe percebia meu afeto tanto quanto possível crescente, minha solicitude que se desdobrava, minha vontade de agradá-la de todos os modos, como mais não saberia fazer.

Lembro-me de que, alguns meses antes de eu ser acometido pela crise de diabetes, durante um almoço com ela senti qualquer incômodo pelo qual tive a impressão de estar gravemente doente. Meu pensamento imediato foi:

"Este convívio tão bom entre ela e mim, haverá algo semelhante assim na Terra? Se Deus me levar, desfará isso. É um grãozinho de areia no qual Ele é Rei. Estes grãos de areia têm de ser desfeitos desta maneira?"

Pouco depois, abatia-se sobre mim a prenunciada doença, e meus receios se confirmavam: "O desfazimento final está para vir. Deus me levará, e mamãe ficará sozinha. Ou ela soçobra na ilucidez, ou dar-se-á conta de algo e também morre."

Aquele grão de areia parecia estar desfeito. Ora, não. Outros eram os desígnios da misericordiosa Providência. Sobrevivi à grave enfermidade, e durante o longo período de convalescença minha casa se encheu de amigos. Estes conheceram de perto Dª Lucilia, e passaram a admirá-la, a agradá-la com toda a espécie de atenções e carinhos. Onde tudo parecia o fim, no que dizia respeito a ela, um frutuoso apostolado começava a nascer.

Como não posso ficar maravilhado diante do lindo traçado que Deus desenhou ao longo deste caminho, e cujos contornos foram obtidos pelas súplicas de Maria Santíssima?

(Extraído de Revista Dr. Plinio n° 109)

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