Dr. Plinio: Varão Católico
Ecos de Roma...
Continuação...
Minha querida, minha boneca, minha marquezinha: cuidado com sua saúde, e reze pelo filhão que a quer muitíssimo, lhe envia milhões de beijos, e lhe pede respeitosamente a bênção.
Plinio
Na carta seguinte, Dr. Plinio manifesta como sempre uma qualidade sem a qual um autêntico convívio não se estabelece: a abnegação. Dir-se-ia que, nesse inefável relacionamento com Dª Lucilia, a renúncia de cada um a si próprio reverte generosamente em benefício do outro; tal como os arcos-botantes de uma catedral que por si sós não se sustentariam, mas, apoiando colossais paredes, formam com elas um todo esplendoroso.
Manguinha de meu coração
Minha caneta azul está quebrada. Por isto, lhe escrevo em vermelho.
Gostei imenso de suas duas cartas. Tenho-as sobre meu criado mudo, para as ter sempre sob os olhos. E estou com umas saudades loucas de minha Mãezinha querida, de seus agrados, de sua presença, de sua prosinha, enfim dela, de tudo quanto é dela, e de tudo que a rodeia.
Poucas coisas me poderiam alegrar tanto, quanto saber que a Sra. vai bem. Cuide-se: nada de melhor a Sra. poderia fazer por mim. Melhor do que isto, só uma coisa: rezar por mim...
Não sei ainda bem o dia de minha volta, mas espero que não tarde.
Escreva-me logo, meu amor do coração.
Perdoe esta carta-relâmpago: estou ocupadíssimo.
Com mil e mil beijos, todo o carinho do filho que a quer imensissimamente, e lhe pede com respeito as bênçãos e orações.
Cartas laboriosamente confeccionadas
Dona Rosée continuava a dar notícias a seu irmão, por breves que fossem, do estado de Dª Lucilia. Em 1º de novembro narrava ela de modo expressivo o quanto custava a sua mãe escrever aquelas comovedoras cartas:
Você a esta altura já deve ter recebido pelos menos duas cartas das três que [mamãe] escreveu. Vou mandar agora outra que ela estava confeccionando laboriosamente ontem! (Acabo de passar em sua casa para pegar a carta e não está pronta. Segue amanhã.)
No local que mais fazia recordar a Dª Lucilia a presença de seu querido filho, o escritório do apartamento, ela estabelecia muitas vezes com ele seu contato epistolar. Já com a vista enfraquecida, ocupava tardes inteiras, pacientemente debruçada sobre as folhas de papel, nas quais a pena ia traçando com lentidão e esmero cada letra, para formar palavras carregadas de afeto e doçura, que ainda hoje encantam quem as lê.
Continua...