Dr. Plinio: Varão Católico


Ecos de Roma...

Continuação...

A carta seguinte de Dª Lucilia, inacabada, é um carinhoso queixume por essa "imperdoável" falta:

São Paulo – 19-11-962

"Plinion", meu coração, meu filho querido!

Estava tão aflita por falta de notícias tuas, quando um dos moços do segundo andar entregou a D. Carlota uma carta tua para me ser entregue. Radiante abro o envelope e vejo que não havia senão belos postais, para Yayá, os Languendoncks, a Zili e Nestor, e para mim... nenhuma palavra.

Como sabes vivo neste momento com o coração preso em Roma... recebo a carta... e nem um beijo, e nenhum abraço para mim...

[O que segue foi escrito por Dona Rosée]

Mamãe não acabou a carta e como estou com pressa vai assim mesmo.

Muitos beijos e bênçãos de tua mãe,

Lucilia

A grande expectativa pela chegada de missivas vindas de Roma foi amenizada por uma fotografia publicada na Folha de S. Paulo, na qual Dª Lucilia pôde rever a fisionomia de seu "filhão", o que a levou a escrever novamente. Não se pode deixar de notar a despretensão de seu comentário. Nenhuma ponta de orgulho, nenhuma euforia pela honra de que ele fora objeto. Após referir-se à notícia de jornal, seus dizeres continuam serenos, tratando de assuntos caseiros, entre os quais ocupa sempre primeiro lugar seu amor entranhado pelo filho.

São Paulo – 22-11-1962

Filho tão e tão querido!!

Pelo que vejo, você ver-se-á obrigado a passar aí o dia 13 de Dezembro, dia de teus anos! – Sinto muito, mas se for da vontade de Deus... que se faça!

Sinto muito, mas que fazer? – O Castilho enviou-me ontem dois números da Folha de S. Paulo que reproduzia a fotografia de um grupo de amigos do Barão de Montagnac que lhes ofereceu um jantar honroso com a tua presença no restaurant "Raniere de Roma". Vê se me escreves um pouquinho mais... sim?

Rosée tem me feito excelente companhia, e Maria Alice também, mas sempre às voltas com médicos, exames, jantares, em sua casa e para fora... isso cansa tanto! Yayá nas folgas do jogo vem sempre, às vezes para jantar. Dora e as meninas têm vindo menos com o avô doente!

Você recebeu as cartas que escrevi na semana passada para você?

Não tenho coragem de deixar de te escrever porque me parece que é te deixar um pouco mais longe!

Recomenda-me aos teus amigos.

Com minhas bênçãos envio-te muitos abraços, muitos e muitos beijos da tua "manguinha" que tanto te quer,

Lucilia

(Transcrito, com adaptações, da obra "Dona Lucilia")

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