Dr. Plinio: Varão Católico
Espírito de justiça e misericórdia
Continuação...
E eu me perguntava onde poderia encontrar um ponto afável, amável, lilás claro, prata, em que pudesse dizer uma palavra de consonância adequada, no momento preciso em que vós exprimis tanto afeto, respeito e confiança. E, com o favor de Nossa Senhora, encontrei exatamente esse ponto, cuja formulação passarei a empregar.
É do vosso conhecimento uma conversa que teve lugar no salão de minha residência, na madrugada do domingo precedente ao desastre, e na qual tratamos do estado em que se achava nosso Movimento. Analisada a situação, chegamos à conclusão da necessidade de um grande sofrimento e uma grande expiação para que as coisas tomassem seu devido rumo.
Pode-se fazer uma relação entre essa conversa e o que aconteceu pouco depois? (2)
Em todo caso, não é a vinculação que farei. Dir-vos-ei coisa diferente.
Se durante aquela reunião me aparecesse um anjo e me afirmasse: "Tu não conheces os enjolras (3) que deverão entrar no Movimento, nem os benefícios que poderão advir para todo o seu apostolado e para a causa católica no Brasil e no mundo, assim como não sabes que muitas dessas tuas preocupações atuais (não todas, infelizmente) se sanarão, se quiseres fazer este sacrifício: é preciso que vás para Amparo e, na estrada, sofras um desastre" – tenho certeza de que tomaria o automóvel naquela hora e, dado que nenhum dos meus acompanhantes nada ou quase nada sofresse, diria a mim mesmo: vamos à trombada! Vamos ao sangue, ao hospital, à cadeira de rodas! E durante seis anos, pelo menos, vamos às muletas e a todas as outras conseqüências!
E se eu tivesse previsto o meu horror diante da taça a beber, devido às investidas contra a nossa obra que vieram depois, devo reconhecer que teria empalidecido e pediria força a Nossa Senhora. Porém, não hesitaria em dar nenhum passo rumo ao extremo, para a glória d'Ela.
Que alegria eu teria se eu soubesse – além de nossa vitória nesses confrontos e dos meus enjolras que ingressariam no grupo – de tudo quanto nossa obra tem realizado nos mais diversos rincões do mundo!
Se foi esse o preço, quanto foi ele justo e bem pago! Oxalá tenhais razão vós, e não eu, pois não sei se minha avaliação é suficientemente implacável.
Inflexível juiz de si próprio
Meus filhos, por que vos digo isso?
Antes de tudo, pelo gosto da verdade escancarada, para não receber um elogio a meu ver objetável. Em segundo lugar, para vos ensinar como deveis examinar a vós mesmos. Sereis tanto mais íntegros no analisar, querer, fazer, e mais fiéis à graça que recebeis, quanto mais procurardes ser assim.
Cada um precisa ser inflexível juiz de si próprio, ávido das agravantes, procurando todas as circunstâncias que lhe possam escapar ao olhar, sabendo-se sempre suspeito de bonacheirice quando voltado para ele mesmo.
Continua...