Dr. Plinio: Varão Católico
Espírito de justiça e misericórdia
Continuação...
Se assim tivessem feito todos os homens, não haveria Revolução. E só desse modo teremos a Contra-Revolução. Além disso, cumpre existir almas que, em nenhum momento, por mais implacáveis que sejam consigo, duvidem de que Nossa Senhora intervirá com sua insondável bondade e muito nos dará, pois nosso caminho é o do Céu, pelo qual Ela nos conduz com sua maternal proteção.
Nossa atitude, portanto, não encerra nada de calvinismo nem de jansenismo (com seus rigores mal concebidos e exagerados), mas é amor à justiça de Deus e confiança na sua misericórdia.
Eu desejaria aproveitar essa ocasião para vos animar a fazer um auto-julgamento assim. Tereis talvez a impressão de que ele é excessivo. Mas, se levardes em consideração que a própria Virgem Maria julgou-se culpada pela fuga do Menino Jesus para o Templo... Ela, que tinha recebido a Anunciação do Anjo e em cujo claustro imaculado se deu a Encarnação do Verbo; que trouxe ao mundo o Salvador e d'Ele recolheu os afagos na noite de Natal; que não se continha de adoração contemplando seu Filho crescer em graça e santidade diante de Deus e dos homens, achou que podia haver n'Ela algo que desagradara o Divino Infante!
Quem somos nós, pois, para não formarmos a nosso respeito hipótese semelhante? Quem de nós se atreve a se comparar com Maria Santíssima? A idéia nem pode passar pela nossa cabeça. Entretanto, Ela se julgou dessa forma, e nós não procederemos assim? Onde está a lógica? Onde a coerência?
Enfim, vós me destes, com harmonia, vossas almas em flor. Eu vos restituo como presente uma armadura, com espada, sapatos de ferro em ponta e viseira fechada... Cada um dá o que tem. O que possuo para vos conceder é isso.
Que o Santíssimo Sacramento, em cuja presença tivemos a honra de estar há pouco e a Quem recebemos em comunhão por uma honra incomparavelmente maior, pelas mãos de Nossa Senhora a todos abençoe, e nos infunda este espírito de justiça e misericórdia. Amém.
(Extraído de Revista Dr. Plínio n° 83)
1) Cf. Pr 24, 16. Segundo a explicação exegética, "cair sete vezes", isto é, muitas vezes, não se refere à queda no pecado, mas na desventura. É em sentido acomodatício que se costuma aplicar esta passagem à impossibilidade moral em que estão os próprios justos de evitar o pecado venial.
2) Tal conversa deu-se de 1 às 3 da manhã do dia 2 de fevereiro de 1975. Em 3 de fevereiro, por volta das 13:15h, aconteceria o desastre.
3) Denominação carinhosa com a qual Dr. Plinio se referia aos seus jovens discípulos de então, cujas deficiências se mostravam mais acentuadas que as da "geração nova". Eram, entretanto, igualmente mais propensos ao maravilhamento e a uma maior confiança na graça divina, estando compenetrados de suas fraquezas.