Dr. Plinio: Varão Católico
Lutas e glórias nos caminhos da vocação
Continuação...
A prova que confirma a vocação
Contudo, assim como o rei submeteu o futuro príncipe herdeiro a algumas provas a fim de que este confirmasse o acerto de sua escolha, também Nossa Senhora, que tanto nos prometeu e concedeu, tem o direito de expor nossa alma à provação. Cumpre que esta sobrevenha, e devemos desejá-la. É árdua, dura, mas queremos mostrar nossa gratidão. E não só mostrá-la, mas exercitá-la. Almejamos ser como o filho adotivo do rei.
Donde, às vezes, apagar-se para nós o esplendor da vocação. Não degustamos mais o sabor da fidelidade; as delícias de praticar o bem desaparecem. Entretanto, por detrás das nuvens Nossa Senhora acompanha nossa alma. Mais. Ela se acha dentro de nós, obtendo-nos graças especiais de perseverança, e nos auxilia com sua maternal solicitude. Não o percebemos. Pensamos que andamos sozinhos, e nos perguntamos: "Nesse desamparo em que já não sinto o paraíso de outrora, haverá alguma culpa de minha parte? Ó meu Deus! Fostes tão bom para comigo que sempre confiarei em Vós! Confiança, pois!"
A esse propósito recordo uma frase dos Salmos que muito me agrada: Nam et si ambulavero in valle umbrae mortis, non timebo mala (Sl 23 , 4). "Ainda que eu caminhe nas vias sombrias da morte, não temerei os males", porque Deus é meu Pai e me perdoará, Nossa Senhora é minha Mãe e rezará por mim. Confiança! Confiança! Confiança!
Horas em que o mal empalidece a nossos olhos
Passamos, então, por rudes provações na vida espiritual, progredimos e, de súbito, o demônio começa a nos tentar de forma mais insistente, eclipsa-se o horizonte de consolações na trilha que palmilhávamos, anoitece no paraíso de nossa vocação. O maligno procura fazer apagar em nosso espírito a recordação dos aspectos censuráveis do mundo que deixamos quando aceitamos o chamado de Deus. Perdemos a idéia da iniqüidade da Revolução anticristã e somos levados a achar que os adversários da Igreja não são tão ruins conforme nos dizem.
Aquele que se deixa iludir por esse estado e não quer se levantar, procura abafar a consciência, a qual lhe faz perguntas tais como: "Considere, por exemplo, as leis contrárias aos mandamentos divinos que são aprovadas em tantos países. Não acha que isto seja uma coisa má?"
Continua...