Dr. Plinio: Varão Católico
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Notícias de Roma
No dia 20, chegaram às mãos de Dª Lucilia, vindas de Roma, as primeiras novas de seu filho.
Roma, 13-X-1962
Mãezinha, amor querido do meu coração!
Escrevo-lhe com tinta vermelha, pois se quebrou minha caneta de tinta azul, e no momento não disponho senão desta.
São 1h30 da noite. E é este o primeiro momento que encontro disponível para lhe escrever. Começo por minhas notícias.
A viagem foi excelente. Avião confortável, boa comida, pontualidade satisfatória, boa companhia, nada faltou. Ou por outra faltou tudo, pois não estava a meu lado a minha Manguinha querida...
[Na escala em Paris fomos] ver os Invalides, os dois prédios da Place de la Concorde, e a Madeleine, que foram raspados da patina que tinham. Lucraram enormemente. Como é natural, fomos também a Notre Dame, maravilhosíssima como sempre. Depois de um lauto lanche no Café de la Paix (Place de l'Opera), voltamos para Orly, e de lá para Roma.
Orly é horrendo. Como é óbvio, Fiumicino, o Orly italiano, é ainda mais feio.
Roma, pelo contrário, está lindíssima. A cidade transborda de riqueza, a população está forte, alegre, nutrida e bem vestida. O número de automóveis cresceu prodigiosamente. As vitrines estão lindas, inclusive as que expõem comestíveis.
Quanto a mim, sinto-me bem, e com um apetite muito vivo.
A parte final desta tão interessante missiva era reservada à expansão de seu filial afeto:
Agora, passemos à Senhora. Como vai, meu Bem? E a preciosíssima saúde? E o que disse o [Dr.] Brickmann? Os remédios dele adiantaram? E o fígado? Diga-me tudo, porque a Senhora bem sabe quanto me interessa tudo quanto lhe diz respeito. Mande-me pois todos os pormenores.
Meu Amorzinho, a Senhora nem calcula quantas vezes por dia me lembro da Senhora, e como conto os dias para revê-la. Cuide com o maior esmero, da sua saúde.
Receba milhões de beijos, cada qual mais carinhoso que o outro, do filho que tanto e tanto a quer e respeita, e que lhe pede as orações e a bênção,
Plinio.
Continua...