Dr. Plinio: Varão Católico


Podia ser a mãe de mil filhos

Continuação...

Assim, procedia aos funerais de suas recordações, antes de suas próprias exéquias.

Dias depois de ela ter morrido, verificou-se que havia deixado apenas o essencial. Dr. Plinio então notou que sua mãe jogara fora muitos papéis que ele teria gostado imensamente de conservar, como, por exemplo, várias agendas nas quais ela anotava, com escrupulosa precisão, as despesas da casa, contas feitas com esmero, e quantas outras lembranças...

Desfazer-se tranqüilamente de todos aqueles papéis cujo teor talvez nos fizesse conhecer outros aspectos de sua bela alma era, da parte dela, um sinal da serenidade com que ia transpor os umbrais da eternidade.

Para que seu filho não sentisse tanto sua morte

Ao mesmo tempo que dispunha suas coisas para a derradeira viagem, Dª Lucilia desejava também preparar seu filho para a dolorosa separação. Alguém lhe dissera que Dr. Plinio ficaria chocadíssimo com sua morte, e lhe aconselhara diminuir as manifestações de afeto para com ele, a fim de que não sentisse tanto sua falta.

Dona Lucilia deixou-se convencer pelo argumento e, dominando seu enorme benquerer, retraiu um pouco seus carinhos. Esse propósito, ela o cumpriu com uma precisão comovedora. A este píncaro de abnegação se elevou sua alma materna!

Só pouco tempo antes de morrer, ela contou a Dr. Plinio que estava agindo desse modo em virtude do conselho recebido.

Nesta atitude, quanta calma, quanta segurança! Os vagalhões que a assaltaram em nada tinham penetrado seu tabernáculo interior: ela estava se preparando para o Céu.

Doçura e resignação

Pelo fim de 1967, Dª Lucilia, já com 91 anos, encontrava-se na contingência de se locomover em cadeira de rodas, devido ao reumatismo. Uma tênue névoa lhe embaçara a mente no que dizia respeito a assuntos práticos ou concretos, mas não prejudicara em nada sua incrível lucidez no tocante a temas elevados. Apesar da idade, nunca perdia a compostura ou a dignidade. Pelo contrário, mantinha no porte uma impressionante e admirável linha, como nos mostram suas últimas fotografias. Em qualquer posição que estivesse, mantinha a cabeça sempre firme. Seu meigo olhar conservava toda a luminosidade. No modo de falar, com seu inconfundível timbre de voz, suave, respeitoso e aristocrático, estava presente de modo constante a dama paulista de 400 anos.

Seu dia-a-dia era na maior parte dedicado a prolongadas orações. Nas horas de contemplação, sua atitude era de quem dizia: "Tenho tantas coisas que me fazem sofrer, mas na minha alma há tanta paz, tanta ordem; essa ordem é tão boa, e de tal maneira meu espírito a oscula que, embora tudo viesse a faltar-me, eu conservaria intacta minha paz interior".

Continua...

« ... 1 2 3 ... »